terça-feira, 26 de maio de 2015

{Resenha} Dois Garotos se Beijando

Autor: David Levithan 
Editora: Galera (Editora Record) 
Número de Páginas: 222
Classificação: 4/5 

Sinopse: Harry já beijou Craig tantas vezes, mas este é diferente de todos os beijos que vieram antes. Eles estavam se beijando com um objetivo, mas o objetivo não era eles; era o beijo em si. Eles não estavam usando o beijo para manter o amor vivo, mas estavam usando a amizade para manter o beijo vivo. Harry beija Craig e sente que há uma coisa maior que os dois bem ao redor daquele ato. Ele não estica a mão para alcançar essa coisa, ainda não. Mas sabe que está ali. E isso o torna diferente de qualquer outro beijo que eles ja deram antes. Ele sabe disso imediatamente



Visão Geral


Talvez esse seja o livro mais complicado de resenhar, pode ser que esse livro mexa com você apenas por essa breve exposição dos meus pensamentos.

Esse foi meu primeiro contato com livros que tratam do assunto LGBTQ. Sempre respeitei muito a opção sexual e com essa obra do David Levithan eu fiquei simplesmente chocada por ainda vivermos em um mundo tão preconceituoso. 

Dois Garotos se Beijando trata de um assunto muito comum hoje em dia, mas que muitas pessoas ainda tentam evitar a todo custo, como se isso fosse algum tipo de doença ou que fosse um assunto nojento. 


"[...] O amor é tão doloroso; como podemos desejar para alguém? E o amor é tão essencial; como podemos atrapalhar o progresso dele?"

David Levithan nos mostra em poucas páginas um mundo onde Craig e Harry estão lutando por uma causa maior do que o próprio beijo. Eles estão lutando, estão protestando por todo o preconceito que os gays passam, por toda a homofobia existente, por todos os olhares tortos por suas opções sexuais. Eles estão lutando por Tariq, que sofreu um ataque homofóbico na rua. O objetivo dos dois é quebrar o record no Guinness Book de o beijo mais longo. Para isso eles terão que manter o beijo por pelo menos 32 horas. 


"As pessoas gostam de dizer que ser gay não é como a cor da pele, não é uma coisa física. Elas dizem que sempre temos a opção de esconder. 
Mas, se isso for verdade, como é que eles sempre nos descobrem?"


David também apresenta outros personagens no livro. Cada um com a sua historia e seus objetivos. 

Peter e Neil, que enfrentam um pouco do ciumes, da descoberta do amor que sentem um pelo outro. Eles ainda não passaram dos beijos, essa parte ainda os assuntam um pouco. A família de Peter sabe de sua opção e o apoia imensamente. Os pais de Neil também sabem sobre a orientação sexual de seu filho, mas não é uma coisa dita, é reservado apenas para eles mesmos. 


"É possível dar palavras, mas não é possível tomá-las. E quando palavras são dadas e recebidas é que elas são compartilhadas."


Avery e Ryan acabam de se conhecer em uma festa e eles possuem cabelos coloridos, e isso chama atenção. Avery é transexual, nasceu menino em corpo de uma menina e desde que seus pais descobriram tomaram as providencias para que ele fosse feliz e deram remédios para que evitasse o tipo errado de puberdade. Ryan gosta de Avery logo no inicio da festa, mas não sabe sobre seu segredo, mas sabe que precisará dizer a verdade se quiserem começar algo, pois a verdade é essencial para se começar qualquer coisa. 


"[...] A magia se apaga naturalmente, com a distancia. Mas a proximidade... bem, quando funciona, a proximidade amplifica a magia."


E por ultimo, mas não menos importante, tem Cooper, um garoto que se fecha do mundo. Ele está descobrindo o que é ser gay, seus pais ainda não sabem sua opção sexual. E passa suas madrugadas em sites de relacionamentos criando perfis falsos a fim de se sentir poderoso, pois ele gosta da sensação de ter homens procurando por ele, mesmo que seu objetivo não seja ter um encontro com eles. 


"É difícil parar de ver ser filho como seu filho e começar a vê-lo como ser humano. 
É difícil parar de ver seus pais como pais e começar a vê-los como ser humanos
É uma transição bilateral, e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade."


Durante o decorrer dos livros vamos nos apegando aos personagens, segurando o folego quando algo sai errado com o beijo, suspiramos depois de uma pequena discussão e o ato de fazerem as passes entre Peter e Neil. Nos emocionamos com o amor que está nascendo entre Avery e Ryan. E nos desesperamos ao ver o rumo que a vida de Cooper está tomando.


"[...] torce para que talvez deixe as pessoas com um pouco menos de medo do que antes de dois garotos se beijando e que as deixe mais abertas à ideia de que todas as pessoas nascem iguais, independentemente de quem beijam ou quem transam, independentemente dos sonhos que têm e do amor que distribuem."


O livro é narrado por dois gays que já morreram, o que torna o ponto de vista muito mais interessante, pois eles contam como era ser gay a alguns anos e como está sendo agora. 


"O silêncio é igual a morte, nós dizíamos. E por baixo disso havia a suposição, o medo de que a morte fosse igual ao silencio ."


Posso dizer com toda a certeza, que aprendi muito e me emocionei com esse livro, pois muitas vezes criticamos a vida que certa pessoa leva, mas não nos damos ao trabalho de ver por tudo o que ela já passou. Eu admiro muito quando um gay assume sua opção sexual, quando não se importa sobre o que vão pensar dele. Bato palmas para eles, pois ao contrario do que muita gente pensa, ser gay não é uma escolha, isso nasce com cada pessoa. Eles não deixam de ser menos humanos só porque não seguem os padrões exigidos pela sociedade. 


"Não começamos como pó. Não terminamos como pó. Nós fazemos mais do que pó.
É tudo que pedimos a vocês. Façam mais do que pó."



Recomendo muito!!!

Leia Ouvindo 


Um grande beijo

Ketilin e Clara

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