terça-feira, 14 de julho de 2015

{Resenha} O Colecionador de Lágrimas - Holocausto Nunca Mais

Autor: Augusto Cury
Editora: Planeta
Número de páginas: 376
Classificação: 5/5

Sinopse: "Um professor especialista em nazismo e II Guerra Mundial, começa a ter insônia e pesadelos, como se estivesse vivendo as atrocidades do Nazismo. A partir disso o passado passa a ser vivo para ele. Em um ponto de desatino, sobe na mesa da sala de aula e diz que os alunos são parceiros de Hitler. Sua intenção é, na verdade, provocar a sensibilidade e a curiosidade de seus alunos. Bem quisto por alguns, mas muito criticado e até processado por outros, ele é banido da universidade. Mas fica famoso recebendo diversos convites para conferências enquanto se esconde de um estranho complô nazista que tenta a todo custo assassiná-lo. Seu reconhecimento como grande historiador faz com que receba um convite de cientistas alemães, que pesquisam uma máquina complexa, financiada pelas forças armadas e que usa a teoria da relatividade e da quântica para conseguir viajar no tempo. Mas por que ele? O convite então se torna claro: tudo o que os alemães querem é alguém com competência suficiente para voltar no tempo, matar Hitler e mudar a história. Apesar de eliminar todo o mal causado por Hitler, conseguiria ele chegar à infância do ditador e assassiná-lo. Faria ele esta atrocidade?" 

Visão Geral



Eu sei que por ser um autor nacional, e ser conhecido por escrever livros de autoajuda, muitas pessoas tem receio de ler obras do Augusto Cury, eu mesma tinha esse receio. O Colecionador de Lágrimas é o segundo livro do Cury que leio, e mais uma vez fiquei completamente encantada e presa ao livro. Neste livro o autor aborda o tema do Holocausto.. o Nazismo, ou melhor, Augusto Cury desconstrói a imagem de Hitler.

“E Hitler? Era um escritor sem brilhantismo, um pintor frustrado que pintava aquarelas no estilo de cartões-postais. E como vimos, era um confesso amante da música. Ele declarou, logo após iniciar a guerra: ‘ Sou um artista e não um político. Quando terminar a guerra, pretendo me dedicar às artes...’ Com uma mão ele destruía, com a outra, acariciava. Com uma mão manipulava a espada, com a outra o pincel.”

O protagonista de Cury é o professor Júlio Verne, um psicólogo que se apaixonou por história e decidiu seguir essa paixão se formando e dando aula da respectiva matéria. O professor, como todos os personagens de Cury, tem uma personalidade forte e bem marcante. Já nas primeiras páginas do livro, o professor começa a ter pesadelos estranhos, onde se vê colocado em cenas do Holocausto, Júlio se encontra assombrado por esses episódios que lhe ocorrem durante o sono, e até mesmo sua mulher, uma psicóloga inteligentíssima, começa a se preocupar com a saúde psíquica do marido. O professor, desnorteado com os horrores noturnos, decide levar o tema do Nazismo para a sala de aula, e junto com seus alunos começa a desconstruir e dissecar a personalidade de Hitler, e ajuda-los a entender como o povo alemão aceitou o nazismo imposto por Hitler.
Durante todo o tempo em que estava lendo o livro – e até agora – eu desejei arduamente estar presente em uma das aulas de Júlio Verne, e mesmo este sendo um personagem fictício, aprendi muito com ele. O professor que era um forte crítico do sistema cartesiano, ou seja, acreditava que as ciências exatas.. a matemática, retirou dos indivíduos a humanidade, de acordo com o professor, a lógica nos retirou ou dificultou a habilidade de nos colocar no lugar dos outros; vemos apenas números e não pessoas, as vitimas do Holocausto são apenas meros números e não pessoas que tinham sentimentos, que amavam alguém...

“A tecnologia está pulsando ao nosso redor. Mas o mesmo sistema lógico-matemático que nos fez exímios construtores de produtos sequestrou nossa emoção, prostituiu nossa sensibilidade, asfixio a maneira como encaramos e interpretamos o sofrimento humano.”

Em uma de suas aulas o professor traz uma questão intrigante para os alunos, depois de um relato de seus estranhos pesadelos, ele pergunta se os alunos fossem jovens alemães, vivendo em uma Alemanha detonada pelo final da 1º guerra e “escrava” do Tratado de Versalhes, quantos deles diriam Heil, Hitler! ? Considerando a sociedade e os esclarecimentos que temos hoje, diríamos que nunca, nunca seriamos a favor de Hitler, ou o saudaríamos, mas se levarmos em conta a situação que se encontrava a Alemanha, quando Hitler surgiu, ele foi um herói e não um vilão. Como um psicopata nato, sabia direitinho como abordar os alemães, e fez isso tão bem, que algumas pessoas pensaram que ele era o Messias enviado por Deus, e que tudo o que estava fazendo era para o bem do mundo. Longe de eu defender os nazistas, mas também não podemos julgar o povo alemão por terem dado espaço para Hitler, pois hoje em dia, nós somos inúmeras vezes influenciados, seja por meio de propagandas, ou como nossos pais dizem ‘as más influencias’, não podemos julgar e atirar pedras nos alemães pois eles foram as primeiras vitimas de Hitler, ele em seus discursos, devorou a mente dos alemães.

“Os políticos atuais abraçam crianças durante a campanha eleitoral para mostrar afetividade e proximidade. Hitler foi mais longe. Para conquistar o palco social, ele primeiramente conquistou os bastidores da emoção.”

No decorrer do livro, Júlio Verne começa a não ter somente pesadelos noturnos, mas também diurnos. Cartas estranhas, pessoas estranhas parecendo vindos de outro século, mas precisamente de uma Alemanha ainda nazista, começam a assombra-lo. O professor e a esposa se encontram em situações de riscos, e a dúvida que paira sobre todos, por que alguém iria perseguir um mero professor de história? E quem estava o perseguindo?
O Colecionador de Lágrimas foi um livro que fez refletir muito, hoje posso dizer que o professor Júlio Verne foi um dos melhores professores de história que tive. E bem, quem assim como eu, é apaixonado pela temática da Segunda Guerra, eu recomendo a leitura desse livro, não só pelas questões reflexivas, mas porque todos os dados dessa obra são verídicos, a única ficção que existe aqui, é o enredo. No final do livro, Augusto Cury deixou uma lista imensa das referências bibliográficas. E acredito que este livro seja indispensável para a nossa formação intelectual e humana.

“Essa é uma breve história da sofisticadíssima propaganda imprimida  por um simples soldado que quinze anos depois de perder a Primeira Guerra Mundial se tornou chanceler e dominou generais e marechais, deixando o mundo assombrado.”




Leia Ouvindo: 


Um grade beijo,
Clara e Ketilin
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